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Acidentes Perfurocortantes: saiba como se proteger 
A área de saúde registrou 32,7 mil acidentes de trabalho no país em 2004,

superando a construção civil. Já está em vigor a NR-32, a Norma Regulamentadora para Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde no Brasil.

Publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em dezembro de 2005, o texto define a implementação de medidas de segurança e proteção à saúde, bem como de prevenção dos riscos aos quais os profissionais estão expostos nos hospitais, clínicas, laboratórios, universidades, serviços médicos ocupacionais de empresas e outros estabelecimentos de saúde.


Dentre os 5.391 acidentes notificados, 76,5% foram causados por materiais perfuro-cortantes.


Ambiente livre de riscos, programa de imunização contra doenças transmissíveis, equipamentos de proteção individual e capacitação continuada sobre como proceder em caso de acidentes no trabalho passam a ser algumas das obrigações dos empregadores da saúde.

A norma – que abrange os diferentes tipos de fatores de risco a que esses trabalhadores podem estar expostos: biológicos, químicos e radiações ionizantes, entre outros – foi discutida e aprovada por comissão formada por representantes do governo (ministérios do Trabalho e Emprego, Saúde, Previdência e Fundacentro); dos trabalhadores (CUT, Força Sindical e CGT); e dos empregadores (confederações da Indústria, Comércio, Agricultura, Transporte e Instituições Financeiras).

Para Arline Arcuri, diretora técnica da Fundacentro, que participou da elaboração do texto, "a NR-32 é importante, porque são freqüentes os casos de acidentes e doenças neste setor. Faltava uma norma com recomendações específicas para os riscos devido a agentes biológicos, em especial, tão freqüentes em ambientes hospitalares. Ainda são abordados outros tipos de risco devido aos agentes químicos, destacando-se os gases medicinais, medicamentos e drogas, quimioterápicos antineoplásicos e outros. Também são estabelecidos critérios para o uso de radiações ionizantes e outras situações típicas destes postos de trabalho."

Acidentes Perfurocortantes: saiba como se proteger

De acordo com Francisco Teixeira da Costa, coordenador Geral de Fiscalização do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, antes desta normatização não havia padronização que desse resposta a inúmeros casos de insegurança e riscos no trabalho em hospitais e estabelecimentos de saúde. Ele garante que o Ministério irá disponibilizar, já em 2006, auditores fiscais para controlar a aplicação da NR- 32. Ele lembra que os serviços de saúde têm prazo de até 18 meses para adequação à norma.

Registro de acidentes
Segundo levantamento realizado pelo Ministério da Previdência Social em 2004, foram registrados no país 459.000 acidentes do trabalho, incluindo 27.500 casos de doenças do trabalho. O setor de saúde é o quinto no ranking de acidentes do trabalho, superando áreas consideradas de alto risco como a da construção civil, de eletricidade e indústrias extrativas. A saúde só perde para áreas como indústria de transformação, agricultura e transportes.

Em 2004, o governo federal gastou R$ 9,3 bilhões com benefícios decorrentes de acidentes do trabalho em geral e com aposentadoria especial.
Um exemplo que dá a dimensão do problema na saúde é o boletim divulgado pela Divisão de Vigilância Epidemiológica do Programa Estadual de Aids de São Paulo, com a notificação de acidentes ocupacionais com exposição a fluídos biológicos de 1999 a 2003. Dentre os 5.391 acidentes notificados, 76,5% foram causados por materiais perfuro-cortantes. Os auxiliares de enfermagem foram os profissionais mais afetados (51,1% dos acidentes).

Riscos biológicos
Risco Biológico, de acordo com a NR-32, é a probabilidade da exposição ocupacional a microrganismos, culturas de células, parasitas, toxinas e príons. Todo local onde exista possibilidade de exposição a agente biológico deve ter lavatório exclusivo para higiene das mãos, com água corrente, sabonete líquido, toalha descartável e lixeira com sistema de abertura sem contato manual.

Os quartos ou enfermarias destinados ao isolamento de pacientes portadores de doenças infecciosas devem contar com lavatório em seu interior.
O uso de luvas não substitui o processo de lavagem das mãos, o que deve ocorrer, no mínimo, antes e depois da manipulação.
Os trabalhadores com feridas ou lesões nos membros superiores só podem iniciar suas atividades após avaliação médica obrigatória com emissão de documento de liberação para o trabalho.

O empregador deve fornecer, sem ônus ao empregado, vestimentas adequadas, equipamentos de proteção individual, e deve assegurar capacitação continuada sobre prevenção dos riscos.
Devem ser fornecidas aos profissionais, mediante recibo, instruções escritas, em linguagem acessível, das rotinas realizadas e medidas de prevenção de acidentes e de doenças relacionadas ao trabalho.
Os trabalhadores que utilizarem objetos perfurocortantes devem ser os responsáveis pelo seu descarte. São vedados o reencape e a desconexão manual de agulhas.
A todo trabalhador dos serviços de saúde deve ser fornecido, gratuitamente, programa de imunização ativa contra tétano, difteria e hepatite B.

Resíduos
Cabe ao empregador capacitar, inicialmente e de forma continuada, os trabalhadores nos seguintes assuntos: segregação, acondicionamento e transporte dos resíduos; definições, classificação e potencial de risco dos resíduos; sistema de gerenciamento adotado internamente no estabelecimento; formas de reduzir a geração de resíduos; conhecimento das responsabilidades e de tarefas; reconhecimento dos símbolos de identificação das classes de resíduos; conhecimento sobre a utilização dos veículos de coleta; orientações quanto ao uso de Equipamentos de Proteção Individual – EPIs. A segregação dos resíduos deve ser realizada no local onde são gerados.

Os recipientes existentes nas salas de cirurgia e de parto não necessitam de tampa para vedação. Para os recipientes destinados a coleta de material perfurocortante, o limite máximo de enchimento deve estar localizado 5 cm abaixo do bocal. O recipiente para acondicionamento dos perfurocortantes deve ser mantido em suporte exclusivo e em altura que permita a visualização da abertura para descarte.

Outras medidas
- Os profissionais devem ser capacitados para adotar mecânica corporal correta, na movimentação de pacientes ou de materiais, de forma a preservar a sua saúde e integridade física.